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A História da Imprensa em Agrestina

Por Paulo Junior


          A tarefa de noticiar os fatos e acontecimentos locais, tão alargada graças aos avanços tecnológicos, trata-se de uma atividade que merece nossa admiração e respeito a todos os profissionais que se dedicam a nos transmitir os acontecimentos sociais, políticos, econômicos sejam eles da esfera local, regional ou global.

              A busca do conhecimento, da informação e da transmissão de informações surgem com as mais primitivas formas de comunicação, sejam elas visuais a exemplo das escritas rupestres nas cavernas, pelos homens primitivos, passando pela linguagem escrita e chegando até a era da informática. As mais diversas formas de comunicação produzem informações valiosas para outros profissionais, entre eles os historiadores, que ao se debruçarem em documentos antigos ou notícias contemporâneas os observa como importante fonte de pesquisa. 


             Através das pesquisas que tenho desenvolvido sobre o município de Agrestina, vi que as notícias sobre os fatos, acontecimentos de Bebedouro eram repassadas por um correspondente do Diário de Pernambuco, desde a penúltima década do século XIX, conforme é registrado em BARBALHO (1988), vejamos um fragmento importante enviado à redação do Diário de Pernambuco:


“No domingo, 5 de outubro de 1884: “Bebedouro – Escrevem-nos em 22 de setembro(...).É por aqui que transitam todos os nossos conterrâneos do alto sertão em demanda da capital , e por isso mesmo cresce de ponto a importância deste abençoado torrão,dotado pela natureza de tantas vantagens que  impossível será pôr embargos ao seu desenvolvimento e prosperidade. O seu comércio prospera, a civilização progride e todos a uma promovem o seu engrandecimento material, moral e religioso.(...)Ainda continua a residir entre nós o nosso incansável vigário José Vaz Guiterres, que(...)deixou o Altinho e veio fazer-nos companhia, com o que temos muito lucrado não só do ponto de vista religioso e social, com o material, pelo fato de afluir por aqui o povo de Altinho aos domingos e dias santificados e haver portanto crescido muito a nossa feira. Isto quer dizer que o nosso abençoado Bebedouro floresce, enquanto que o Altinho decresce a olhos vistos!”

              O teor desta notícia traz informações significativas para compreendermos o crescimento do povoado de Bebedouro, bem como demonstra o desejo dos moradores locais em desenvolver o lugarejo. Esse desejo expresso à redação do Diário de Pernambuco, continuou sendo alimentado no inicio do século XX. Outra fonte onde destaca-se a busca da autonomia política encontra-se publicado na edição do 1º jornal de Bebedouro, denominado “O Vigia”, sobre este jornal PEREIRA DA COSTA (1965),ao escrever sobre Bebedouro informa o seguinte: “a localidade teve um período semanal, O vigia, que apareceu em 1904, impresso em Caruaru, mas de vida efêmera. Cremos que não passou do primeiro que saiu em 27/03/1904. (prestes a completar 109 anos).

       O Vigia tinha como objetivo fazer oposição as matérias vinculadas no jornal “O Contemporâneo”, que era dirigido pelo chefe político e vigário do Altinho, Padre Manoel Zacarias, este jornal circulou em Altinho, Bebedouro e região no período de 1901 a 1904.
Pe. Zacarias
O vigia era de propriedade Emygdio Couto, tinha diversos redatores. No jornal são relatadas notícias da comunidade, entre elas a movimentação do comércio local, a existência de uma sociedade de música, alimentando insatisfação com o Padre Zacarias, os relatos do jornal denunciam os “caprichos do Padre”, ao comentar o fechamento da agência dos Correios de Bebedouro e a transferência da feira do domingo para a sexta-feira. Nele percebemos o sentimento de luta pela emancipação política de Bebedouro.

      Além do jornal O Vigia, no catálogo dos jornais publicados nos municípios de Pernambuco, constam a circulação dos seguintes jornais: Gazeta do Povo Bebedouro (junho a julho de 1919) de propriedade de uma associação; Lyrio (novembro1919); A verdade (agosto a novembro/1934) dirigido por José Queiroz; A voz de Bebedouro (julho 1934 a fevereiro 1935), dirigido por José Wamberto; Gazeta da Paróquia(out. e dez.1937 e jun.1940), em comemoração as bodas de prata da Paróquia de Santo Antônio foi dirigido pelo Padre Adalberto Damasceno e o Jornal de Agrestina (1957 a 1960) que tinha como proprietário o Prof. Pedro de Alcântara e diretor o Dep. Estadual Constâncio Maranhão.

      Sabe-se que existiram e circularam outros jornais locais, inclusive alguns editados pela Prefeitura local, os quais também integram a história da imprensa de Agrestina, infelizmente ainda não tive acesso a este material que sem dúvida é uma fonte histórica para compreensão da história da nossa cidade.

         Não poderia concluir a história da imprensa Agrestinense sem mencionar a importância da imprensa virtual, que diariamente nos transmite informações em tempo real, noticiando sobre os mais diversos acontecimentos de Agrestina e região. Esta nova modalidade de trazer informação, são merecedores dos mais sinceros elogios o trabalho desenvolvimento pelos blogueiros Adriano Monteiro e Jonata Daniel, com os quais mantenho parceria para divulgar um pouco da “desconhecida” história de nosso município. Através deles as notícias de Agrestina são espalhadas pela rede virtual, sendo crescente o número de acessos ao blog mantidos por eles.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
BARBALHO, Nelson. Altinho de antes da fazenda até a freguesia de Nossa Senhora do Ó – Subsídios para sua história. Recife, FIAM-CEHM/Prefeitura Municipal do Altinho, 1988.
COSTA, F. A. Pereira da. Anais Pernambucanos: 1824-1833, Volume IX. Recife: Secretaria do Interior e Justiça/Arquivo Público Municipal, 1965.
Catalógo dos Jornais publicados nos municípios de Pernambuco.

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