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Marina e o PSB ‘derreteram’

Foto: Adriano Monteiro
Por Miguel Dias Pinheiro

Passadas as eleições, agora com os ânimos arrefecidos, abrandados, a pauta política de hoje se apresenta para as análises sobre a “desidratação” de políticos e de partidos que protagonizaram os embates da eleição nacional e dos pleitos estaduais.

Computados os números se constatou com meridiana clareza que Marina Silva e o PSB foram realmente os grandes perdedores dessa eleição. Apesar de o PT ter perdido deputados federais, além de ter mantido a Presidência da República conseguiu os mesmos cinco governos estaduais que em 2010. Porém, passou a governar Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, depois de São Paulo.

Até então vivo, Eduardo Campos oscilava percentualmente entre os 8% a 10%, o que poderia garantir uma eleição fácil para Dilma Rousseff, já que Aécio Neves não conseguia superar de 20% a 23%, aproximadamente.

Com a proximidade do final de agosto o quadro se mantinha inalterado. No entanto, depois do dia 31, quando Eduardo Campos foi vitimado tragicamente e a comoção tomou conta do país, com a família do morto caindo em campo de corpo e alma ainda no velório em Pernambuco, que a opção Marina Silva se tornou viável em substituição ao ex-governador. Em verdade, quem mais lucrou com a morte de Campos foi Marina Silva. E no final da eleição, como todos nós vimos, quem mais perdeu foi Dilma Rousseff. Chegaram a espalhar, inclusive, que o PT ou a própria Dilma estariam por trás da morte do ex-governador de Pernambuco.

Cinco dias após a morte de Campos, a candidata Marina já assumia a posição de segunda colocada nas pesquisas de intenção de voto e destronando Aécio, que entrou em “queda livre” a ponto de chegar a 20% nas primeiras consultas ao eleitor. Marina ameaçava Dilma e, segundo as projeções de analistas, cientistas políticos e pesquisadores, no segundo turno da eleição a derrota da petista era dada como “favas contadas”. Quinze dias após a tragédia, Marina passou de 21% para 34% e colocou Aécio em um desconfortável 15% das intenções de voto. Em 1º de setembro, Marina alcançou Dilma e definitivamente pousava como favorita.

Foi uma apoteose! Mas, tudo isso durou pouco. “Em seguida, sua candidatura começaria a mostrar a que veio. Com uma banqueira a tiracolo – ou com Marina a tiracolo da banqueira –, a candidata do PSB passou a se mostrar por inteira. Marina insultou a comunidade homossexual retirando apoio às suas causas de seu programa de governo, deu declarações sobre o comando da economia que chegaram a chocar até economistas de linha neoliberal, que não esperavam que uma candidatura do partido socialista fosse mais conservadora do que a do próprio candidato in pectore da direita brasileira, Aécio Neves” – diz o analista político Eduardo Guimarães.

Marina, enfim, começou a se perder, a trocar “alhos por bugalhos”, perdeu confiança e degringolou. Não passou para o segundo turno e no final da eleição seu apoio a Aécio foi um desastre. Em Pernambuco, por exemplo, quando no primeiro turno obteve a única grande vitória da oposição no Nordeste (48% dos votos válidos), quando decidiu apoiar o tucano na segunda etapa da eleição tudo isso “virou pó”, sumiu na apuração das urnas.

Marina e o PSB ‘derreteram’ a tal ponto que, segundo Eduardo Guimarães, “o PSB, que conseguiu aumentar em 10 deputados sua bancada na Câmara no primeiro turno, trocou esse “lucro” pela participação que tinha no governo federal no primeiro governo Dilma, no qual tinha ministérios e muito prestígio e influência. Agora na oposição, com perda de nomes importantes do partido como Roberto Amaral, que tende a se desfiliar da legenda, o PSB não tem motivos para comemorar o futuro. Desse modo, os tais dez deputados que o PSB obteve este ano, podem virar fumaça nos próximos quatro anos da presidente Dilma Rousseff”.

“Além de Marina e o PSB se desmoralizarem à esquerda e no Nordeste, o partido perdeu metade dos governos estaduais que obteve em 2010, quando conseguiu governar seis estados. A partir de 2015, o PSB comandará Pernambuco, Distrito Federal e Paraíba. Valeu o PSB aumentar sua bancada em 10 deputados – que nem sabe se vão permanecer no partido – em troca da desmoralização de sua imagem “socialista” e da consequente perda de metade dos governos estaduais? Não sei você, leitor, mas acho que não foi um grande negócio. Marina Silva e o PSB, portanto, foram os grandes derrotados nas eleições de 2014. O PSB e Marina foram vítimas de ambição desmedida e afobação. Deu no que deu” – avaliou Eduardo Guimarães.

Portal AZ

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