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Movimento dos médicos começa, mas adesão não é total

Muitos médicos e clínicas continuaram a aceitar os planos que estão na lista negra da categoria

 / Foto: Igo Bione/JC Imagem

Foto: Igo Bione/JC Imagem

O movimento de valorização dos médicos começou ontem, mas a adesão ficou abaixo do esperado. Muitos profissionais continuam a aceitar planos em seus consultórios e clínicas, mesmo com a organização do ato definindo que, durante esta semana, os profissionais não deveriam atender clientes dos planos Hapvida, Sul América, Golden Cross, Norclínicas, Intermédica, Notre Dame e Ideal Saúde. “Não queremos unanimidade. Cada cabeça é um mundo e alguns teimam, paciência”, lamentou Mário Fernando Lins, coordenador da Comissão de Honorários Médicos do sindicato, que organiza a movimentação. “Mas isso não enfraquece o ato”, opinou. Os médicos pressionam por melhores remunerações nas consultas por parte dos planos.

O médico gastroenterologista Carlos Gantois, que tem mais de 90% dos clientes vinculados a planos, resume o sentimento daqueles profissionais que preferiram não participar. “Um dia de greve não adianta nada, é até bom para os planos que ficam sem contas a pagar no período”, disse, relembrando que a briga dos médicos por melhores remunerações é antiga. Na sua avaliação, movimento mais enfático seria o profissional se juntar em cooperativas ou associações médicas e definir um piso por especialidade.



A tabela de endoscopia, minha principal atividade, e que negociamos coletivamente, viabiliza o nosso trabalho”, comentou, criticando a postura de médicos que aceitam contratos com planos e resolve parar como forma de pressão. “Existem falhas nos planos. Eles não cumprem o acordado, atrasam pagamento, glosam materiais que não deveriam, mas paralisar por um curto período não é a atitude mais acertada”, comentou.

Algumas clínicas de radiologia também funcionaram normalmente, como a Multimagem na Ilha do Leite, que manteve o atendimento de todos os clientes. Até mesmo clínicas que aderiram ao movimento, não suspenderam totalmente. Um exemplo é a Emcor, que reúne profissionais especializados em doenças do coração. Dos sete planos que deveriam estar suspensos até sexta, apenas três entraram na “lista negra”. “Hapvida nós não temos convênio e Norclínicas, Intermédica e Notre Dame conseguimos fechar negociação com eles. Portanto, não poderíamos deixar de atendê-los”, revelou o cardiologista Carlos Japhet.

O primeiro dia de movimentação também foi reduzido devido ao feriado dos Comerciários e do Professor. A defesa dos consumidores não registrou nenhum incidente. “Muitos lugares estão fechados, mas acreditamos que o movimento deve aquecer a partir desta terça-feira”, comentou a coordenadora da Associação de Defesa dos Usuários de Planos de Saúde (Aduseps), Renê Patriota, que aproveitou para mandar uma recomendação à classe médica. “É importante que o médico lembre que o seu convênio não é de sindicato, portanto ele deve avisar a seu cliente que não vai atendê-lo durante esta semana”, disse.

O ato de valorização dos médicos, por outro lado, conta com o apoio dos usuários. “Eu apóio os médicos. Nós consumidores pagamos caro e os planos querem pagar menos de R$ 50 por consulta ao profissional. Não acho justo”, comentou a aposentada Deyse Chaves, que teve de entrar na Justiça para ter uma cirurgia de gastroplastia aprovada. Nos consultórios que aderiram, a organização divulgou informativos aos clientes, lembrando que os planos aumentam as mensalidades todos os anos para os usuários e não repassam o reajuste aos profissionais de saúde.

Do JC

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