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Agreste tem surto de leishmaniose

Pelo menos 20 dos 22 casos suspeitos foram confirmados, desde março, entre os xucurus de Pesqueira. Principais vítimas são crianças de 2 a 12 anos, mas há também adulto

Crianças indígenas de 2 a 12 anos estão sendo vítimas de um surto de leishmaniose tegumentar (cutânea), em Pesqueira, no Agreste, a 215 quilômetros do Recife. Essa seria a primeira ocorrência da doença (transmitida por mosquito) em aldeias pernambucanas, embora os xucurus do Ororubá, atualmente atingidos, relatem casos esporádicos em décadas anteriores.

A Secretaria Estadual de Saúde registrou 19 ocorrências recentes entres os xucurus. Já o coordenador do Distrito Sanitário Indígena de Pernambuco, Antônio Fernando Silva, que notificou a situação ao Ministério da Saúde e é responsável pelas ações básicas de saúde na comunidade, contabiliza desde março 22 adoecimentos suspeitos, dos quais 20 confirmados (12 por exames laboratoriais e oito por critério clínico epidemiológico). Embora a maioria seja criança, há adolescente e adulto com a lesão de pele característica. 

Segundo o DSEI, os doentes moram nas aldeias São José e Santana, conhecidas como região de Serra, rodeada por açudes, e Guarda, próximo à Vila de Cimbres. Como nos postos da área indígena faltam médicos e não há serviço de referência para tratamento da doença na cidade nem na região, as crianças que precisaram de internamento foram tratadas no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira, no Recife. Até terça-feira, 11 estavam recebendo medicação (precisam tomar o remédio injetável por 20 dias) na Unidade de Pronto-Atendimento de Caruaru, a uma hora e meia de distância de Pesqueira. O Imip, que presta serviço ao DSEI nas aldeias e também administra a UPA, informou que por decisão do governo as crianças passariam a receber a medicação em Arcoverde, cidade mais próxima da área indígena, mas continuariam sendo monitoradas pela pediatria da unidade de Caruaru.

Tanto o DSEI quanto a Secretaria Estadual de Saúde afirmam que as ações de controle contra o mosquito transmissor já começaram. “Identificamos a espécie de flebotomíneo que está nas casas e ao redor delas. É o Lutzomya migonei”, explicou Francisco Duarte, gerente de Prevenção de Controle de Zoonoses, Endemias e Riscos Ambientais da Secretaria Estadual de Saúde. Ele acredita que a estiagem que secou açudes na região tenha ajudado a deslocar os mosquitos até os domicílios, onde podem se alimentar do sangue de animais domésticos. A pesquisadora Edileuza Brito, estudiosa da doença, afirma que a espécie se reproduz na terra úmida e é típica da mata. “O desmatamento é que pode ter deixado o mosquito próximo do homem”, acredita. A leishmaniose tegumentar é uma doença mais típica da Zona da Mata.

Do JC

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