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Pernambuco ganhará novo canal de televisão

Eduardo Campos assinou decreto que cria nova empresa pública. Foto: Eduardo Braga/SEI.
Foto: Eduardo Braga
Ao se despedir de Roger de Renor e Guido Bianchi, dois dos nomes ligados à Empresa Pernambuco de Comunicação (EPC), o governador Eduardo Campos sorriu, desejou que eles fossem felizes, mas reforçou que não queria se livrar deles. O diálogo informal marcou o final da cerimônia de assinatura de um decreto que institui o novo canal de televisão, que sai do papel depois de três anos de articulações. Eduardo Campos espera que a nova programação esteja no ar até o fim do ano e justifica a demora para que o projeto saísse do papel.

"Agora vamos caminhar de forma mais acelerada. Foi preciso um diálogo nacional e, para completar, foram dois anos muito duros para nós, de queda de arrecadação", pontuou. Como telespectador, o governador quer ver na telinha mais espaço para a produção cultural do estado, mostrando Pernambuco aos pernambucanos, a beleza de nossas regiões e valorizando nossas raízes culturais. "Também daremos espaço para temas que não encontramos nas televisões comerciais", adiantou ele. 

O que era a antiga TV Pernambuco ganha um novo formato, que segue os mesmos moldes da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC). Parte da programação será preenchida com produções nacionais, mas também existirá espaço para ideias locais, como já ocorre com atrações elaboradas com financiamento do Funcultura estadual, a exemplo do PE na rua, Toda música, Quero nadar no Capibaribe e Cine pendrive. O produtor cultural Roger de Renor lembrou também que já existe um acordo de cooperação entre a TV Universitária, que deve continuar com a EPC, permitindo a troca de conteúdo. "Eles não têm sinal no interior e aqui no Recife nós somos UHF. É um modelo pioneiro, então para criá-lo foi quase uma gincana", brinca Roger, que assumiu a diretoria do órgão em março de 2010 e agora passa a ser o diretor de programação e produção da EPC. "Fizemos de tudo nestes três anos, revimos o conceito, levantamos os bens móveis e imóveis do antigo Detelpe. Nosso único paralelo era a TV Brasil", assegura Roger.

Nelson Breve, diretor-presidente da EBC, que estava presente à assinatura, reforçou que com a iniciativa Pernambuco será mostrado no Brasil inteiro. "Estamos em 1.870 municípios de 24 estados e mais o Distrito Federal, além de termos mais de 40 geradoras. Funcionamos como um comitê de rede, com troca de conteúdo jornalístico e coproduções regionais. Cerca de 10% de nossa grade é regionalizada e 5% é para produção independente", detalha Nelson Breve. "O que está se fazendo em Pernambuco é tratar de um serviço público que é previsto na Constituição, de complementariedade. Não enxergamos a audiência como consumidor, atraído pela publicidade de cerveja ou refrigerante. O cidadão precisa de informação para a educação de qualidade, promoção da cidadania, formação da consciência crítica", observa Breve.

Marcelino Granja, secretário estadual de Ciência e Tecnologia, vê a nova fase de modo positivo. Para ele, a aprovação do estatuto social da EPC coroa um processo bastante democrático, inclusive com a participação da sociedade civil. Agora, explica Granja, o modelo é mais ágil para captação de recursos, podendo até mesmo serem captados fundos do Governo Federal. Entre as prioridades, o secretário avisa que estão a digitalização da EPC, a recuperação das torres de transmissão que existem até Petrolina e a melhoria do sinal. Em três anos, de acordo com um estudo inicial, serão investidos R$ 25 milhões na EPC.

Guido Bianchi, publicitário com 35 anos de carreira, será o diretor-presidente da nova TV. Ele é filiado ao PCdoB. "A empresa nasce hoje, teremos um período de transição pela frente. Vamos começar do zero, mas com a herança das concessões públicas. Da TV Pernambuco, com mais de 60 repetidoras e a emissora de Noronha, além dos bens do antigo Detelpe. E precisamos seguir a Lei 2016, da radiofusão digital", argumenta Bianchi.

Do Diário de Pernambuco

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