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| Foto: Pedro Ladeira |
Em tom de desabafo e de críticas à presidente, o vice Michel Temer (PMDB), incomodado com as declarações de Dilma de que confia nele, enviou carta "pessoal e confidencial" à petista em que diz textualmente que ela dá demonstrações de que "não confia nem em mim nem no PMDB".
Ao justificar o texto por escrito, entregue nesta segunda-feira (7) por sua chefe de gabinete à presidente, a carta começa com a seguinte expressão: "as palavras voam, o escrito permanece". Em seguida, Temer diz que o PMDB e ele sempre foram "extremamente leais a senhora", lembrando as disputas na convenção que levaram à aliança dele com Dilma para a disputa de sua primeira eleição.
Logo depois, Temer diz que apesar de, nos últimos dias, a presidente fazer comentários de que espera ter a confiança do vice-presidente, os fatos durante o primeiro e segundo mandato da petista mostram que "a senhora não confia nem em mim nem no PMDB".
O peemedebista passa a relatar, então, cerca de dez episódios em que diz ter sentido que a presidente nunca confiou nele. Um deles envolve o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que esteve no Brasil.
Temer reclama que, na época, não foi chamado para as audiências e que assessores do próprio vice norte-americano perguntaram para sua equipe porque ele não participou do encontro.
Ao final do relato, Temer volta a dizer que "tenho quase certeza", depois destes exemplos, "que a senhora continua não confiando em mim".
Em seu texto, num tom de desabafo, o peemedebista diz que, no primeiro mandato, foi um "vice decorativo", mas que em nenhum momento criou dificuldades para o governo dela, sendo leal ao Palácio do Planalto.
Depois, Temer passa a explicar sua postura atual, de evitar comentários públicos em defesa da presidente Dilma. Ele destaca que é o presidente do PMDB, precisa trabalhar pela unidade do partido e não pode perder o apoio do PMDB.
"Por isto este meu cauteloso silêncio", diz ele ao final do texto de três páginas, entregue em envelope fechado no gabinete da presidente Dilma por volta das 17h.
Temer disse a amigos que o texto foi enviado em caráter "confidencial e pessoal", mas que o Palácio do Planalto acabou vazando seu conteúdo, no que ele sentiu mais uma demonstração da desconfiança que o governo nutre em relação a ele.
O vice fez a carta porque ficou incomodado com as versões de que havia pregado o rompimento entre o PMDB e o governo.
E, diante da informação de que a presidente o procuraria para conversar, Temer resolveu apontar por escrito fatores reveladores da desconfiança que o governo tem em relação a ele e ao PMDB.
Folha de S. Paulo








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